Prefeitos relatam dificuldades para fechar as contas

"Todo o fim de mês é um Deus nos acuda para fechar as contas". O desabafo do prefeito de Ouricuri, Ricardo Ramos (PSDB), no Sertão do Araripe, revela a situação de desespero dos gestores para lidar com os efeitos do aprofundamento da crise econômica. Uma dor de cabeça que se aprofunda com a proximidade do fim do ano, quando batem na porta a responsabilidade de fechar as contas e pagar o décimo terceiro salário dos servidores. Uma obrigação que leva prefeitos do interior do Estado a tomar medidas drásticas e promover demissões em massa nas máquinas municipais.

O anúncio com dos cortes nas gestões municipais será feito pela Associação Municipalista de Pernambuco (AMUPE) na próxima terça-feira. Segundo o presidente da entidade, José Patriota, o número de gestões que tiveram que aderir ao contingenciamento radical chega a casa das dezenas.

Os casos mais drásticos se concentram nas prefeituras do interior, em especial, do Sertão e Agreste. Em Afrânio, no Sertão do São Francisco, o prefeito Rafael Cavalcanti (PMDB) tomou uma decisão radical e cortou todos os comissionados da gestão. Ao todo, foram 200 demissões. As secretárias municipais serão diretamente afetadas. Ficarão apenas as secretarias ordenadoras de despesas das áreas de Obras, Educação e Saúde. "Estamos cortando da energia ao cafezinho. Já estávamos cortando os comissionados desde o início do ano, mas não teve jeito", desabafou. Nos municípios vizinhos de Santa Maria da Boa Vista e Orocó os cortes também alcançaram centenas de servidores comissionados e temporários.
Em Cabrobó, o prefeito Marcílio Cavalcanti (PMDB) terá que fazer novos cortes na gestão. No início do seu governo, foram 200 cargos de comissionados e temporários fechados. Desta vez, serão mais 100 servidores. Gratificações e bonificações foram eliminadas. O administrador espera, com a medida, economizar R$ 30 mil na folha de pagamento. Atualmente, a máquina municipal está acima do limite de gasto de pessoal e compromete 58% da sua receita. O teto legal é 54%. O peemedebista não descarta o corte de efetivos.

"Vamos fazer ajustes e cobrar mais dos funcionários para não ter descontinuidade dos serviços. Também pretendemos aumentar a arrecadação para incrementar a receita", afirmou. A dificuldade é ainda maior para prefeituras que dependem do repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Segundo Ricardo Ramos, somente a prefeitura de Ouricuri teve uma queda de R$ 700 mil nos repasses. (Blog da Folha)


Publicado por: Daniel Campos - 09/11/2017 - 13:00:00

 


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